Desejo, frustração e identidade: minha busca por prazer em um mundo de pressa e força
Entre dúvidas sobre minha bissexualidade e experiências frustrantes, percebo que encontrar prazer com respeito e conexão é mais difícil do que imaginava.
Sou um bissexual não resolvido. Sempre achei que um bi “raiz” tivesse o desejo de dar o cu, mas eu não tenho essa vontade. Meu desejo é fazer sexo oral, e isso é algo que não entendo completamente: por que esse desejo é visto como algo feminino, Embora muita gente diga que só amante ou prostituta gosta disso, enquanto namoradas e esposas fazem por obrigação.
Mesmo com essas questões, decidi ir a um bar gay. Tive relações com três caras em dois dias, mas só com um fiquei satisfeito. O primeiro era experiente, me deixou chupá-lo no meu ritmo, me fez sentir à vontade e até me ajudou a limpar depois que gozou no meu rosto, porque eu pedi. O segundo parecia possuído; depois que o chupei, ele gritava e urrava como um animal. Tentou me tocar e abaixar minha cueca. Recuei, e ele nem quis terminar. Fiquei assustado, mas não reagi. Afinal, vivemos em um país onde a vítima é culpabilizada, e quem reage pode ser visto como agressor ou alguém que “não entendeu as regras do jogo”. Agora, imagina se eu deixasse ele me penetrar? Poderia mentir, dizer que “só ia colocar a cabecinha”, mas me machucar, e eu acabaria me sentindo culpado, pensando que fui eu quem errou e que nem deveria estar lá. Por quanto tempo carregaria essa culpa?
Depois, o bar passou a oferecer entrada VIP para quem fizesse vídeo dançando e criou o “dia da gozada na cara”. Não pude ir e lamentei perder o “dia do leite”. Fui no “dia da cueca branca” e entrei no clima, mas o cara com quem fiquei era bruto. Não me deixou à vontade, só socava na minha garganta sem se preocupar se eu conseguia me equilibrar ou evitar que tocasse nos dentes. Ele nem terminou. Fiquei irritado e fui me masturbar.
Isso me faz pensar se o homem gay ou bi age como o hétero, que é mal visto por usar mais a força do que o jeito. Saí triste, porque não queria esse tipo de relação com um amigo – manter o contato depois seria estranho, mesmo com desejo envolvido. E os caras de aplicativo são esquisitos. Um até topou realizar meu desejo de levar uma torta na cara, mas depois me bloqueou.
Agora, fico insatisfeito, com vontade, sem saber o que fazer. Parece que a maioria só quer a força, não o jeito.
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