Atentado contra Trump não é igual ao contra Bolsonaro
Quando acontece um fato curioso logo as pessoas buscam uma situação passada para tentar explicar o ocorrido. Qualquer grande derrota vira o 7 a 1 e qualquer atentado se transforma no que vitimou o Bolsonaro em 2018.
Infelizmente não deu para ler a análise de , mas entendo o que ele disse. A facada ocorreu a semanas do primeiro turno quando o Bolsonaro não era tão avassalador assim. O então candidato tinha perdido uns pontos com público ao bater boca com Marina Silva e após uns recuos como promessas de não ir a debate e afins.
No dia do atentado, uma pesquisa marcara 26% de intenções de voto dos evangélicos a Bolsonaro e 17% a Marina Silva. No geral, Bolsonaro vencia a candidata do PV por seis pontos no primeiro turno, mas perderia para todos candidatos em eventual segundo turno. O TSE tinha acabado de impedir a candidatura de Lula, e PT começava a projetar um cenário sem ele.
O fato da facada ter ocorrido a semanas do primeiro turno fez com que os rivais perdessem a chance de criticá-lo logo na importante reta de chegada.
Agora o atentado que vitimou Trump ocorre a meses da eleição. Apesar da dúvida se Biden segue ou não, lá só dois candidatos tem chances de ganhar -- as terceiras vias são só fachada. E é sempre bom lembrar que não vira presidente quem tem mais votos, mas quem consegue mais delegados.
E se em 2018 Bolsonaro e Trump eram a pedra, hoje, após passagens como chefe do executivo, são vidraça. Além disso, Trump se escora muito nas falhas de Biden e dos democratas que achavam que ganhariam fácil com discurso sobre democracia.
Lá a eleição é decidida pelo peso dos estados, os mais populosos tem mais delegados. E os chamados "pêndulo" -- que não são majoritariamente republicanos ou democratas -- decidem o jogo. Por isso ganhá-los é fundamental.
É claro que nesse primeiro momento será difícil criticar Trump, pois ele está enfermo, não se sabe ainda -- madrugada de domingo -- em quais condições Porém ainda há um longo tempo até o pleito.
Pelo lado republicano é a hora de reforçar a tese de que a direita é quem pratica a violência e leva as vias de fato aos fatos mesmo, apesar das promessas de fomento a discussão e democracia. Para os democratas, seria um timing perfeito para Biden sair da disputa e ser trocado por Michelle Obama. Assim ela evocaria os velhos tempos de 2012 e poderia ganhar um eleitorado feminino e negro. Mas o Biden talvez não tope.
Ou seja, ainda há muita coisa para acontecer. E eleição não é tão simples assim como se pensa. FHC (que sentou no conforto das pesquisas e na cadeira de prefeito antes da hora) que o diga.
Nem toda mídia, mas sempre a mídia
É impressionante como a mídia não tem vergonha de ser parcial. Foi compreensivel no começo, quando ainda nao havia a imagem do Trump machucado, usar o termo "possível tiro" ou "som de tiro". Mas depois ficou patético. Não foram supostos tiros ou tiroteio. Aconteceu um atentato contra o Trump. Simples. E não dói falar isso.
Deixar o atentato como algo suposto ou tiroteio é querer causar um ruído na comunicação quando a imagem e os fatos são claros.
Obama agiu como presidente de verdade
Obama agiu mais como presidente do que o próprio. Foi o primeiro a se pronunciar e pedir basta a violência. Biden demorou para falar algo, pois estava na igreja. Mas custa colocar um assessor ou alguém para escrever por ele no X? Nesse mundo de redes sociais a demora para uma resposta em meio a um fato tão complexo foi uma resposta.
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