Justiça de Dois Pesos: O Show da Impunidade
Você já deve estar cansado desse caso da Deolane. O que mais me incomoda não é o fato de ela ter acumulado fortuna com sua popularidade ou suas atividades questionáveis. O problema maior parece ser a sensação de que o sistema de justiça é leniente diante da polêmica envolvendo a "princesa loira das bets".
Desde sua ida à colônia penal, houve uma grande comoção de apoiadores, coordenados pelo dinheiro das irmãs da cidadã. Esse tipo de manifestação, que atrapalhou a rotina de quem nada tinha a ver com o caso, deveria ter sido controlado pelo Estado, com a devida organização e segurança. No entanto, não houve barreiras adequadas nem planejamento para impedir o caos que se instalou em frente ao local.
Curiosamente, em protestos de estudantes e professores, as forças de segurança costumam agir com maior prontidão, com gás de pimenta à mão para dispersar rapidamente os manifestantes. Já no caso de Deolane, parecia haver uma certa passividade. Mesmo após sua saída da prisão, o juiz havia restringido suas declarações, mas a imprensa estava presente, sedenta por uma fala que confrontasse essa determinação.
Era esperado que houvesse um esquema de segurança que protegesse tanto a detida quanto o público, mantendo a ordem. Infelizmente, o que vimos foi uma situação desorganizada, com a loira deixando a colônia em meio ao tumulto e falando com a imprensa.
Em outros contextos, parece que o rigor policial não é o mesmo. Basta lembrar do caso em que torcedores quase foram assassinados, e os responsáveis permanecem soltos. Enquanto isso, uma operação policial em Goiás invadiu a casa errada, gerando um quase desastre, sem sequer um pedido de desculpas formal.
Além disso, inúmeras mulheres continuam enfrentando barreiras em delegacias, desistindo de denunciar abusos devido ao tratamento inadequado ou à demora no atendimento. Infelizmente, a percepção é de que, para os ricos e poderosos, as coisas são diferentes.
É também irônico que, enquanto há tanta preocupação com publicidade infantil e restrições a propagandas de cigarro, as propagandas de sites de apostas proliferam, muitas vezes sem a devida fiscalização.
Seguimos assim, em um país onde as desigualdades e incoerências parecem não ter fim.
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